Maldição de Noé em Canaã: Tradição de Séculos

Pode ser uma surpresa para muitos da era moderna ouvir que a origem da proibição ao sacerdócio Santo dos Últimos Dias pode ser encontrada em tradições perpetuadas por séculos através da era medieval. Essas histórias tradicionais clamam que Noé amaldiçoou Canaã por causa de uma tentativa por parte de Cão, ou de seu filho, Canaã de usurpar os poderes e privilégios do sacerdócio de Noé.

Para o benefício daqueles que nunca ouviram isso antes, eu resumirei algumas das principais versões dessa tradição. Primeiro, aqui está o registro encontrado na Bíblia:

“E começou a ser lavrador da terra, e plantou uma vinha. E bebeu do vinho, e embebedou-se; e descobriu-se no meio de sua tenda. E viu Cão, o pai de Canaã, e fê-los saber a ambos seus irmãos no lado de fora. Então tomaram Sem e Jafé uma capa, e puseram-na sobre ambos os ombros, e indo virados para trás, cobriram a nudez do seu pai, e os seus rostos estavam virados, de maneira que não viram a nudez do seu pai. E despertou Noé do seu vinho, e soube o que seu filho menor lhe fizera. E disse: Maldito seja Canaã; servo dos servos seja aos seus irmãos. E disse: Bendito seja o Senhor Deus de Sem; e seja-lhe Canaã por servo. Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de Sem, e seja-lhe Canaã por servo” (Gênesis 9: 20-27).

Uma das tradições baseadas em versões do registro encontrado acima nos textos apócrifas judaicos-Cristãos declaram que Noé possuía uma vestimenta especial que havia sido passada por seus ancestrais desde Adão. Alguns argumentam que essa roupa foi dada por Deus para Adão no Jardim do Éden, e que ela ainda tinha o “cheiro do paraíso”. Algumas tradições também declaram que esta vestimenta conferia a quem quer que a usasse poderes sobrenaturais (sacerdócio).

O texto clama que Canaã (ou Cão em algumas fontes) roubou a vestimenta de Noé e clamou ter os poderes de Noé. Quando Noé voltou a si e ficou sabendo o que aconteceu, ele puniu ou Canaã ou Cão pela tentativa de usurpar o poder com uma “maldição” sobre o qual eles não poderiam clamar o sacerdócio, mas seria sujeito a (ser um servo da) liderança de Sem e Jafé.

Essa história é amplamente desconhecida para o público em geral, mas o conhecimento disto parece ter sido amplamente divulgado entre o clero. Porque as tradições de séculos clamam que os negros africanos são descendentes de Cão e Canaã, por séculos essa história apócrifa foi usada entre as denominações Cristãs tradicionais como um endossamento para a escravidão. O que os primeiros líderes Santos dos Últimos Dias fizeram foi fazer pública uma porção de informação que até então estava sendo disseminada apenas entre os círculos eclesiásticos mais restritos.

Antes de se unirem a A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, alguns dos primeiros lideres proeminentes da Igreja haviam sido pastores, pregadores em denominações protestantes, e não tenha dúvida que eles estavam familiarizados com essas histórias apócrifas, considerando quão bem conhecida ela era na época (Goldenberg, The Curse of Ham [A Maldição de Cão], 142 – 144). Podemos ter a hipótese que o conhecimento destas tradições antigas combinada com a ausência (até 1978) de uma revelação específica no assunto contribuíram para fazer com que os líderes Santos dos Últimos Dias ficassem de certa forma temerosos sobre estender a ordenação ao sacerdócio a homens afro-descendentes.

 

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